Minhas experiências amorosas sempre foram distintas entre si, mas o sentimento, este nunca mudou, foi como um sintoma comum, uma patologia. É verdade que cada amante tem um “sabor” diferente, um gosto peculiar, talvez por causa da singularidade de cada espírito (humor), mas o sentimento na essência é o mesmo, o que muda somos nós mesmos e o objeto em quem projetamos nosso afeto.Não acredito em amor perfeito, predestinado, metades da laranja, caras metades ou almas gêmeas, imagino isso tudo como um mito que o homem inventou para se sentir acompanhado, feliz e seguro no mundo. Mas ainda cismo em acreditar nesse mito como se me fosse uma esperança derradeira.Ponto em comum em toda experiência amorosa é que quando se está amando deseja-se que seja para sempre; mesmo os mais sensatos e frios desejam em seu âmago que essa sensação se perpetue. Realmente é psicologicamente óbvio que queiramos que nosso prazer seja contínuo.De fato, nas vidas de todas as pessoas o amor quase sempre desempenha um papel primordial, quer-se estabilização no campo amoroso, todos buscam uma cara metade para se sentirem realizados na grande maioria das vezes.Não sei se existe o amor sublime, a virtude divina, que sempre foi idealizado pelos poetas e filósofos ao longo da história da humanidade, mas sei que em nome desse amor o homem tem feito as melhores, mais nobres e as piores, as mais perversas coisas.A experiência amorosa realmente nos aplica grandes desafios, nos impulsiona a evoluir, nos instiga ao cumprimento dos deveres morais e das virtudes; humores ríspidos e violentos são constantemente aquebrantados pelos efeitos do sentimento romântico.O amor não tem barreiras, não segue a nenhuma regra ou padrão estabelecido social, estetica, cultural ou psicologicamente, não conhece barreiras e não esbarra na convenção dos limites, ele abrange todas as coisas sem distinção de raça, cultura, status, sexo ou sexualidade.O amor entre homossexuais seria um dos “tipos” de amor que mais passa por testes e provações quanto a sua validade intrínseca, porquanto dois seres do mesmo sexo não estão subjugados um ao outro pela natureza, eles não se totalizam evolutivamente falando, não estão incluídos na lei natural de procriação e geração. Talvez esse amor seja o que menos tenha motivos para existir, o que menos se sustenta e por isso mesmo é mais posto a provações.Mas como o amor não é exclusivo somente a alguns seres, estes indivíduos marginalizados pela sociedade também amam, da mesma maneira e com a mesma intensidade que todas as demais pessoas sobre a terra; eles não estão impostos a nenhuma lei da natureza mas se contentam em passar a vida em companhia um do outro, embora suas obrigações entre si e com a família social sejam bem menores.Podemos dizer em resumo que os efeitos do sentimento romântico são visíveis e previsíveis. Vemos a vida “ganhar sentido”, os ideais se elevam, se enobrecem, ficamos mais dóceis e compreensíveis, ciúmes surgem, desejamos cuidar e proteger, etc.Como todos os outros sentimentos, experiências e prazeres, há aqueles indivíduos que apresentam distúrbios e comportamentos anormais, como sentimento de ciúme incontrolável e exacerbado, sentimento de posse, compulsão amorosa, fixação, obsessão, etc. Na verdade, pessoas que apresentam esses tipos de comportamento nutrem um sentimento narcisístico de amor-próprio, não há em suas relações um intercâmbio do afeto, elas apenas se apaixonam pelo parceiro pelo significado que elas próprias dão a ele.O amor é, sobretudo, um ato espontâneo, as pessoas não se sentem obrigadas a amar nem a serem amadas, o amor respeita a diferença, liberta e não domina.O amor ideal deve ser aquele que propicia bem estar entre os envolvidos, que cria relações de confiança, respeito, amizade, cooperação, apoio mútuo, carinho, compreensão e que sempre nos incentive a fazer o bem ao próximo.
Arryson Zenith Júnior
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