quinta-feira, 5 de novembro de 2009


"Tem muita gente que se distrai e é feliz pra sempre, sem conhecer as delícias de ser feliz por uns meses, depois infeliz por uns dias...

Viver não é seguro. Viver não é fácil. E não pode ser monótono. Mesmo fazendo escolhas aparentemente definitivas, ainda assim podemos excursionar por dentro de nós mesmos e descobrir lugares desabitados em que nunca colocamos os pés, nem mesmo em imaginação. E, estando lá, rever nossas escolhas, e recalcular a duração de "Pra Sempre" não dura tanto quanto dura nossa teimosia de mudar."


Martha Medeiros

domingo, 11 de outubro de 2009

Analisar-me...


Não posso
Sei muito pouco de mim
Não paro de pensar no meu eu em mim
Sei o que os outros me dizem
Não gosto desta que comentam
Um tanto temperamental e silenciosa
Mas por vezes dura no falar... Não gosto
Um tanto comum, pois conseguem analisar...
Acho que eles não conhecem meu outro lado

Este que escondido que hora escreve
Tão carente, choroso e solitário...

SEM REQUINTES


Eu te quero assim sem requintes
Entre a minha razão e a minha loucura
Exageradamente neste teu jeito
Malicioso que me fascina
Que me deixa sem jeito quando te olho
E vejo-te a percorrer meu corpo
Fazendo-me sonhar e ficar inquieta
Não fujas de mim... Beija-me suave...

Saboreia-me em pequenos goles
E deixarei em ti meu gosto suave
Junto com ele levarás meu cheiro...


Sandra Azevedo Mello

terça-feira, 6 de outubro de 2009


"Eu e a outra alma de mim...
Tenho duas almas agitando-se
dentro de mim...
Uma é feita da saudade que sinto de ti...
A outra é feita da solidão que a tua ausência
causa em mim..."

quinta-feira, 24 de setembro de 2009


"Nunca tive ar de menina, sempre cheirei a mulher na estrada desse corpo. Peito e ancas bela fartura... Gosto pelo bom... Precisão de conteúdo. Não sou poeta, nessa festa, minha fome é das palavras, entre os pecados, a gula, desejo do corpo seu... Entre as virtudes, a entrega... Perfeita amante no ser devoro os que merecem, cuspo os que não prestam... Natureza pra dominar... Alma pra cativar..."

" O meu mundo não é como os dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa, sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade sei lá de quê!!"


Florbela Espanca

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

QUERO-TE VER...



Esta paixão me agita... sinto um fogo sutil que me enleia por dentre as veias deste anseio carnal. Esta paixão me agita... sinto um raio dúbio que me cega por dentre as vias deste frêmito sensual. Quero-te ver e por querer, lasciva, labiosa, lívida, febril, eu tremo, suspiro... e quase morro...


Sílvia Mota.

VIA SEM CONTRAMÃO...


Que tu desças, subas, corras, freies, deslizes, dobres nas esquinas, contornes os obstáculos, desafies as veredas,ultrapasses os sinais ou percas o rumo... mas que permaneças o tempo todo e, por todo, - inteiro -na via únicado meu corpo.


Sílvia Mota.

domingo, 30 de agosto de 2009


Eu Estarei Lá
Quando estiveres sozinha
E tua boca precisar
De outra, e tuas mãos
Quiserem tocar
As de um outro ser
E um sorriso os teus olhos
Quiserem rever,
Eu estarei lá.
Quando teus sentidos
Se encontrarem amputados
E quando os teu ouvidos
Estiverem mudos, necessitados
De novamente escutar
"Para sempre irei te amar",
Eu estarei lá.
Quando tuas pernas estiverem
Cansadas, e teus braços se sentirem
Pesados, e tua cabeça precisar
Em um ombro descansar,
Quando teu coração se sentir
Vazio, e nele ecoar
O som de tua própria voz,
Eu estarei lá.
Se o teu espírito precisar
De outro para repousar
E a solidão for a tua
Única companhia
Quando te perderes na nostalgia
E ela te consumir,
Eu estarei lá.
Estarei lá para encher
Os teus olhos de alegria
E o teu corpo de sensações,
Estarei lá para cantar
Aos teus ouvidos suave melodia
E ao teu coração responder
Todas suas petições.
Eu estarei lá para livrar-te
Dos teus fantasmas,
Para poder enxugar
Todas tuas lágrimas,
Devolver-te o brilho do olhar
E finalmente curar-teDas tuas vertigens,
Para fazer-te completo
E dar-te asas para que
Alcances o infinito...

MEMÓRIA AO VENTO...


Quando for preciso evacuar a área,
E precisarmos dizer adeus
De uma forma titubeante,
Eu me lembrarei dos belos dias
Das luzes e das rosas
E de você que alegrava a vida.
Quando os dias cintilantes estiverem fechados,
As primaveras virarem escombros
E nossas almas tiverem tomado
Seus vôos para o horizonte,
Eu me lembrarei dos versos e das canções
E de você que celebrava a vida.
Venha se juntar a mim ao vento
Temos mais que apenas chagas,
Escolha partir cambaleando
Ou ficar por um só Eu.
Maldito olá,
Eu te roubei,
Mas é o fim.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O AMOR...


Minhas experiências amorosas sempre foram distintas entre si, mas o sentimento, este nunca mudou, foi como um sintoma comum, uma patologia. É verdade que cada amante tem um “sabor” diferente, um gosto peculiar, talvez por causa da singularidade de cada espírito (humor), mas o sentimento na essência é o mesmo, o que muda somos nós mesmos e o objeto em quem projetamos nosso afeto.Não acredito em amor perfeito, predestinado, metades da laranja, caras metades ou almas gêmeas, imagino isso tudo como um mito que o homem inventou para se sentir acompanhado, feliz e seguro no mundo. Mas ainda cismo em acreditar nesse mito como se me fosse uma esperança derradeira.Ponto em comum em toda experiência amorosa é que quando se está amando deseja-se que seja para sempre; mesmo os mais sensatos e frios desejam em seu âmago que essa sensação se perpetue. Realmente é psicologicamente óbvio que queiramos que nosso prazer seja contínuo.De fato, nas vidas de todas as pessoas o amor quase sempre desempenha um papel primordial, quer-se estabilização no campo amoroso, todos buscam uma cara metade para se sentirem realizados na grande maioria das vezes.Não sei se existe o amor sublime, a virtude divina, que sempre foi idealizado pelos poetas e filósofos ao longo da história da humanidade, mas sei que em nome desse amor o homem tem feito as melhores, mais nobres e as piores, as mais perversas coisas.A experiência amorosa realmente nos aplica grandes desafios, nos impulsiona a evoluir, nos instiga ao cumprimento dos deveres morais e das virtudes; humores ríspidos e violentos são constantemente aquebrantados pelos efeitos do sentimento romântico.O amor não tem barreiras, não segue a nenhuma regra ou padrão estabelecido social, estetica, cultural ou psicologicamente, não conhece barreiras e não esbarra na convenção dos limites, ele abrange todas as coisas sem distinção de raça, cultura, status, sexo ou sexualidade.O amor entre homossexuais seria um dos “tipos” de amor que mais passa por testes e provações quanto a sua validade intrínseca, porquanto dois seres do mesmo sexo não estão subjugados um ao outro pela natureza, eles não se totalizam evolutivamente falando, não estão incluídos na lei natural de procriação e geração. Talvez esse amor seja o que menos tenha motivos para existir, o que menos se sustenta e por isso mesmo é mais posto a provações.Mas como o amor não é exclusivo somente a alguns seres, estes indivíduos marginalizados pela sociedade também amam, da mesma maneira e com a mesma intensidade que todas as demais pessoas sobre a terra; eles não estão impostos a nenhuma lei da natureza mas se contentam em passar a vida em companhia um do outro, embora suas obrigações entre si e com a família social sejam bem menores.Podemos dizer em resumo que os efeitos do sentimento romântico são visíveis e previsíveis. Vemos a vida “ganhar sentido”, os ideais se elevam, se enobrecem, ficamos mais dóceis e compreensíveis, ciúmes surgem, desejamos cuidar e proteger, etc.Como todos os outros sentimentos, experiências e prazeres, há aqueles indivíduos que apresentam distúrbios e comportamentos anormais, como sentimento de ciúme incontrolável e exacerbado, sentimento de posse, compulsão amorosa, fixação, obsessão, etc. Na verdade, pessoas que apresentam esses tipos de comportamento nutrem um sentimento narcisístico de amor-próprio, não há em suas relações um intercâmbio do afeto, elas apenas se apaixonam pelo parceiro pelo significado que elas próprias dão a ele.O amor é, sobretudo, um ato espontâneo, as pessoas não se sentem obrigadas a amar nem a serem amadas, o amor respeita a diferença, liberta e não domina.O amor ideal deve ser aquele que propicia bem estar entre os envolvidos, que cria relações de confiança, respeito, amizade, cooperação, apoio mútuo, carinho, compreensão e que sempre nos incentive a fazer o bem ao próximo.

Arryson Zenith Júnior

"Não confunda mulher bonita e livre com mulher disponível; mulher sensual com mulher leviana e, muito menos, que meus olhos verdes querem dizer sinal aberto".


Sílvia Mota.

"Malho a mente todos os dias, por ininterruptas horas, enviando comandos exaustivos para o coração, ordenando-lhe que jamais desista de amar"


Sílvia Mota.

sábado, 29 de agosto de 2009

QUANDO OS SONHOS ACABAM...


O que acontece quando acabam os sonhos? Quando nos deparamos com sonhos quase realizados. Sofrendo as incertezas do “se”… Quando os olhos se abrem, e nos Vemos vivendo às margens da sociedade. Sobrevivendo de migalhas, escravos de invisíveis grilhões. Quando os sonhos acabam, conseguimos enxergar que o poço é muito mais fundo. E que há lugares onde a luz não ilumina.Sabemos que o talvez dói no peito. Mas… Deus! Por que dói tanto? Quando os sonhos acabam, começamos a cavar com as mãos, as pás se acabaram. A esperança diz que ainda há chance, os olhos dizem que chegou o fim…O coração quer um pouco mais de vida, para talvez, mais algumas batidas. As rochas que achamos pelo caminho soterram os sonhos. Talvez eu seja o afogado que olha a praia antes de sucumbir. Moises olhando Canaã.. As vezes viver no passado é mais tentador do que o existencialismo desta vida presente. Quando os sonhos acabam, acaba também a ansiedade… já não há pelo que ansiar! Se por um lado conseguimos enxergar melhor o aqui, por outro perdemos a visão alem do alcance. Não vemos o cume do monte, esquecemos de que um dia existiu horizonte. Se pudéssemos refazer todas as antigas orações respondidas, pediríamos que não acabassem os sonhos.


Edson Duarte

EU SOU DE MENTIRINHA...


Durante todos estes anos, duas ou três frases foram verdades.
Os “eu te amo” mais sinceros foram pra quem não amei.
E os homens que amei não me escutaram.
Eu não sei o lugar certo de dizer.
A hora certa de ser humana.
Tenho a sincronia de um espantalho.
Paralisada.
Ninguém precisa se assustar comigo.
Eu sou de mentirinha...

...Tudo o que eu queria te dizer.


Martha Medeiros

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

FAZ DE CONTA...


Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio: FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO
Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.
Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.
Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.
Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.
Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.
Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.
Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.
Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy:FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.


Martha Medeiros

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

DÓI DE VEZ EM QUANDO...



“Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio de uma praça.
Então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada, só olhando e pensando – Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando”.

Caio Fernando Abreu

sábado, 15 de agosto de 2009

MEU TEMPO SEM TUA PRESENÇA...




Sem teus olhos, meu tempo é luz sem claridade, cor de noite triste; sem tua boca, meu tempo é flor sem perfume, sabor de fel no mel; sem teus braços, meu tempo é folha sem rama,verde de sonho irreal; sem teu sexo, meu tempo é tarde sem brisa, gozo de ária infeliz; sem tua vida, meu tempo é canto sem ledice, morte de beijo ancião. sem tua presença, meu tempo é ausência sem termo, teimosia da vida em mim.


Sílvia Mota.

ARTÍFICE DA SEDUÇÃO


Num fio de olhar me despes inteira; em meia palavra me jogas na cama; na ponta dos dedos, esboças meu corpo; na ponta da lingua, acordas meu gosto; no atrito da pele, expões meu perfume; ao afeto de beijos me pões em silêncio; às portas do céu me excitas, me domas; ao ruído do inferno me forjas, me tens; num prófugo cheiro, aspiras meu serpor inteiro... Somente assim tu és meu...somente assim sei ser tua...


Sílvia Mota

sábado, 1 de agosto de 2009


Leves pensamentos voam no horizonte,
Esgueiram-se do meu ser e vão para longe.
As frases desvanecem ao passar a ponte,
Fechadas pelo tempo, que também me foge.

Feitas prisioneiras no coração de alguém,
(Prisão insensata, egoísta e tão cruel…)
Amar não é proferir aqui e além,
Indiscretas palavras com sabor a fel.

Aquelas que o silêncio não prenuncia,
Habitam no mais recôndito lugar do mundo.
Outras, levadas pelo vento que se anuncia,
Andam por aí, sem significado profundo.

Ouvi as tuas palavras, em versos professadas,
Escritas de igual modo nesse lindo e sereno olhar.
Amanhecidas no silêncio das letras silenciadas:
"Amor é mais que tudo, simplesmente Amar!"

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Eu...


"Eu sou lúcida na minha loucura, permanente na minha inconstância, inquieta na minha comodidade. Pinto a realidade com alguns sonhos, e transformo alguns sonhos em cenas reais. Choro lágrimas de rir e quando choro pra valer não derramo uma lágrima. Amo mais do que posso e, por medo, sempre menos do que sou capaz. Busco pelo prazer da paisagem e raramente pela alegre frustração da chegada. Quando me entrego, me atiro e quando recuo não volto mais. Mas não me leve a sério, sei que nada é definitivo. Nem eu sou o que penso que eu sou. Nem nós o que a gente pensa que tem. Prefiro as noites porque me nutrem na insônia, embora os dias me iluminem quando nasce o sol. Trabalho sem salário e não entendo de economizar. Nem de energia. Esbanjo-me até quando não devo e, vezes sem conta, devo mais do que ganho. Não acredito em duendes, bruxas, fadas ou feitiços. Não vou à missa. Nem faço simpatias. Mas, rezo pra algum anjo de plantão e mascaro minha fé no deus do otimismo. Quando é impossível, debocho. Quando é permitido, duvido. Não bebo porque só me aceito sóbria, fumo pra enganar a ansiedade e não aposto em jogo de cartas marcadas. Penso mais do que falo. E falo muito, nem sempre o que você quer saber. Eu sei. Gosto de cara lavada — exceto por um traço preto no olhar — pés descalços, nutro uma estranha paixão por camisetas velhas e sinto falta de uma tatuagem no lado esquerdo das costas. Mas há uma mulher em algum lugar em mim que usa caros perfumes, sedas importadas e brilho no olhar, quando se traveste em sedução. Se você perceber qualquer tipo de constrangimento, não repare, eu não tenho pudores mas, não raro, sofro de timidez. E note bem: não sou agressiva, mas defensiva. Impaciente onde você vê ousadia. Falta de coragem onde você pensa que é sensatez. Mas mesmo assim, sempre pinta um momento qualquer em que eu esqueço todos os conselhos e sigo por caminhos escuros. Estranhos desertos. E, ignorando todas as regras, todas as armadilhas dessa vida urbana, dessa violência cotidiana, se você me assalta, eu reajo."

segunda-feira, 20 de julho de 2009

ESTE POEMA É PRA VOCÊ...

Que mesmo distante, toca minhas mãos e passeia comigo
em sonhos secretos, descortinados em sua mente,
faz-me musa, mulher e flor...
Este poema é pra você, meu anjo de amor...
Que na fala silenciosa do seu pensamento,
me chama pra vida, apaga o tormento.
Beija minha boca, na paz do seu braços, alento.
Este poema é pra você...
Que na poesia ou na lua, me chama de sua
Sua amada, sua querida.
Saudade, inspiração, calmaria...
Este poema não tem métrica, nem rima.
Mas te entrego aqui, do jeito que aconteceu
Não fui eu em ti, mas você em mim,
Espalhando amor que o poema nasceu.
Este poema é momento, é ternura, é sentimento.
Aceite sim, Anjo bom... Este poema é todo seu!



Charlyane Mirielle






LUA...


A lua só poderia ser feminina,
e como tal cheia de mistérios
tão dramática como a mulher tem suas fases...
Apaixonada como a lua cheia,
Triste como a minguante,
Feliz como a Lua crescente
Exuberante como a Lua nova
Tem seu lado sombrio,
Secreto, escondido
Mesmo na fase brilhante
Pode estar querendo sumir,
para denovo com força retornar
Mulher Lua
Lua Mulher
Menina, Mãe senhora de si
Sabe iluminar os cantos mais sombrios
apagar as alegrias mais enganosas
apesar de ser só um satélite
tem a força da mulher
e faz companhia a outra sempre.
Uma linda, grande e azul
que chama-se Terra
outra fêmea valente,
forte e incansável
Lua, Mulher e Terra.


Izilgallu



domingo, 19 de julho de 2009


Lutei contra ventos e marés... No espaço de 1 minuto passo de uma tristeza profunda a uma alegria radiosa...Bati muitas vezes com a cabeça na parede, mas aprendi a não desesperar... Descobri que o sol pode ser ainda mais bonito quando reflectido no fundo dos teus olhos... Aprendi que amanhã é sempre outro dia... Sei que há momentos que ficarão sim, só por ti... Amei incondicionalmente e com todas as minhas forças... para sempre...


(Desconheço Autor)

Jurei que o tempo voa quando estamos juntos e demora uma eternidade quando não nos vemos... Corri riscos... Fiz outras pessoas chorarem... O meu sol brilhou mais e o luar teve uma beleza especial... Jurava que o mar e o céu eram mais azuis... Aprendi que o amor não deve ser cego, mas na realidade não é verdadeiro se assim não for... Caí e aprendi a levantar-me... Fechei os olhos a mentiras e desculpas esfarrapadas...


(Desconheço Autor)

Andei à chuva na rua sem me preocupar com os pingos que caíam... Não dormi muitas noites... Acordei outras tantas vezes com um sorriso nos lábios... Aprendi a dar ainda mais valor às pequenas coisas da vida... Flutuei e saltitei de nuvem em nuvem... Criei ilusões... Sofri desilusões... Guardei músicas que nunca tinha ouvido na memória e desde então sei-as de cor... Aprendi que, às vezes, o silêncio pode ser a melhor resposta... Gritei... de felicidade, de dor, de loucura e de prazer...


(Desconheço Autor)

Por ti... Já mudei tantas vezes o meu mundo... Arranjei tempo onde ele não existia e consegui que as horas tivessem mais minutos e os minutos mais segundos... Fiz loucuras que a minha habitual sensatez nunca me permitiria sonhar... Disse palavras que nunca pensei pronunciar... Chorei lágrimas de felicidade e de tristeza... Sorri e chorei, sem que ninguém soubesse o motivo...


(Desconheço Autor)

A TUA PAZ...


Meus dedos desenham desejos, esculpem líquidos doces, tatuam estrelas em teus contornos de sol e céu. Descubro guardados em ti, todos os oceanos e navego distâncias de mar e mãos. Sensação e sentimento sem palavras, sem tempo. Bebo tua pele sem pressa, perdendo um pouco de mim em tuas histórias e geografias. Achando motivos para sorver o teu prazer. E o limite é a procura e a vontade.Tarde de tarde arde... E cada vez que te amo,te liberto sempre mais. E cada vez que me amas, sinto a tua paz.


Karla Bardanza

ISSO TALVEZ AINDA ESTEJA EM TUAS MÃOS...



De ti guardo Nuvens, quase sonhos. Cristal lapidado pelo Temporal, pelos beijos Perdidos pelo ar. E se amar é essa dor Cheia de delicadeza E esplendor, sinto e Sinto a espuma do Mar trazendo o passado Bordado de pérolas e Plumas. E se nasço, logo Depois morro.E se Aquieto, Depois corro E corro de mim e corro De ti e sofro como quem Sorri. Leve mistério de Meu coração. Segredos de uma vida, Chances de saída...porta Fechada, mulher nublada Diluindo em gotas, em Raios e trovoadas. Chuva fina confundindo Tudo...vidraça sem visão, Isso talvez seja o amor... Isso talvez ainda esteja em Tuas mãos...

Karla Bardanza






sábado, 18 de julho de 2009

SEM OLHAR PRA TRAZ...


Estive ancorada no tempo...
A deriva... Na solidão...
Feito uma rosa negra sem amor e paixão...
Um dia falasse... Que me protegerias como uma flor delicada, que seria sempre amada...
Falsas palavras...
Vi-me trancada num quarto escuro, sozinha, triste, abandonada...
O desespero dentro de minha alma esperando o tempo passar e desta dor me livrar...
Fechada em meu mundo tirei forças lá do fundo...
Segurei-me na esperança...
Fiz das lembranças felizes, minha alma renascer...
Hoje me sinto livre...
Sigo meu caminho...
A procura de carinho...
Sem olhar pra traz...

IvySot

O AMOR BATE A PORTA!


Toc, toc! Quem bate à porta? É você amor? Pois entre, desculpe a bagunça que se encontra meu coração, você sabe como é, costumo dizer que quando estamos amando estacionamos em um cruzamento perigoso, mas se estamos sem um amor nossa procura torna-se tão intensa que esquecemos de arrumar o nosso próprio coração! Olha amor, se você veio mais uma vez para me iludir peço que não faça mais isso comigo, acredito que a vida é uma enorme procura pela pessoa certa, uns levam anos para encontrar, outros nunca encontram e se conformam com qualquer coisa, já outros têm sorte e conseguem encontrar seu grande amor logo na primeira tentativa, há aqueles que os perdem por ironia do destino, mas existem outros que os perdem por pura idiotice, portanto seja sincero amor, não aceito mais desilusões. A vida nada mais é que uma chance que temos para ser-mos felizes e você amor torna-se apenas um aliado para fazer valer cada dia, cada minuto de vida é uma esperança e a cada esquina podemos tropeçar naquela pessoa que nasceu para nós, a partir daí podemos estar cientes que a vida se perpetua na mais completa harmonia, o amor nos faz ter a certeza que tudo está bem, isso se chama amor em ascensão, uma harmonia sentida até na alma. Portanto se você está me trazendo a verdadeira felicidade seja bem vindo, mas se for apenas aventura amorosa esteja convidado a um cafezinho e volte outro dia com a pessoa certa, a pessoa que nasceu para mim e que venha completar o meu ser, me fazendo realmente feliz e enchendo meus dias de pura felicidade. O amor é assim mesmo, ele sempre bate à nossa porta, basta apenas que tenhamos discernimento para entender o seu recado, ele não faz por maldade, o amor ama o ser humano e por esse motivo ele tenta de todo jeito encontrar uma forma de completar a nossa vida com um grande amor, pena que nem sempre ele acerta.

(Desconheço Autor)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

IMPOSSÍVEL DEIXAR DE TE PROCURAR EM MIM...


Busco-te nos componentes do meu sistema, nas harmonias e vias da minha anatomia, nos adereços e endereços da minha beleza. Busco-te nas veias do meu coração, nas tendências fetais e atuais dos meus anseios, nos roubos e arroubos das minhas quimeras. Busco-te nas vísceras do meu pranto, nas entranhas estranhas do meu paraíso, nos rogos e fogos das minhas orações. Busco-te nas secreções do meu labirinto, nos hormônios binômios dos meus desejos, na produção e liberação das minhas indigências. Busco-te nos excrementos do meu pensamento, nos cantos encantos das minhas ilusões, nas ações e proscrições dos meus venenos. Busco-te nas linfas e tecidos da minha perdição, nos ruídos fluídos do meu pranto, nas bisonhas e medonhas vias do meu coração. Busco-te nos estímulos dos meus músculos, nos raptos inaptos dos meus prazeres,nos deslizamentos cruentos das minhas contradiçõesbusco-te nas captações dos meus neurônios, nas manhas barganhas dos meus desafios, nas repulsões e compreensões dos meus impulsos. Busco-te na concupiscência das minhas ereções, nas meninas meninos das minhas fantasias, nos vampiros e suspiros dos meus temores. Busco-te nos ares das minhas inalações nas correntes assentes da minha pornografia, nos casticismos e cinismos dos meus pretextos. Busco-te nas cartilagens dos meus ossos, nos rígidos e hígidos arcabouços da minha essência, nas sustentações e proteções dos meus caminhos. Busco-te nas terminações dos meus sentidos, nas ordens e desordens dos meus estímulos, nos pulcros sepulcros dos meus significados. Busco-te nas interrelações do meu corpo, nas dependências e pendências da minh'alma, nos bruxedos e brinquedos dos meus sonhos. Busco-te, enfim, em cada uma das minhas veleidades, nos êxtases e ênfases da minha inspiração, nos domínios e fascínios de todos os meus ais. Encontro-te em mim, mas não me encontro em ti...


Sílvia Mota.

ESCOLHA...


Escolho o delírio, o lírio tão fresco e doce em pétala e delicadeza. Escolho a beleza de linhas costuradas em símbolos e metáforas. Escolho uma alma encantada, jardim para brincar e correr. Escolho as estrelas, o brilho do beijo ao céu, a chama derretendo o meu coração. Escolho a viagem para dentro da vida, a coragem que me faz luz e atrevida.


Karla Bardanza

QUEM SOMOS NÓS?






Quem somos nós quando a dor rasga a alma? Somos calma fé ou doce desespero?Quem somos nós quando o medo bate à porta? Somos a mão armada ou o coração inteiro? Quem somos nós diante de uma injustiça? A indignação ativa ou a lucidez passiva? Quem somos nós perante uma humilhação? A vingança cega ou o paciente perdão? Quem somos nós diante dos desafios? A força violenta ou o manso frio? Quem somos nós diante de Deus? A luz apagada ou a centelha divina?Quem somos nós quando vimos um crime na esquina? A fuga rápida ou a testemunha consciente? Quem somos nós? O que queremos um do outro? O que precisamos realmente? Somos o que pensamos ser? Sabemos viver? Sabemos amar? Quem sou eu? Quem é você? Apenas o outro pode me dar a idéia do que sou. Apenas tentando mudar, foi que algo mudou. Se fizermos a diferença, a semente estará lançada e a vida seguirá seu eterno fluxo de luz e surpresa. Cada dia será como uma nova resposta delicada aos teus anseios e inquietações. Então, conheça a ti mesmo para encontrar a tua divindade. Afinal de contas, tu és a/o arquiteta/o do teu destino e de tua Felicidade.


Karla Bardanza

quinta-feira, 16 de julho de 2009

MINHAS PALAVRAS...


**Um dia quando formos capazes de olhar a alma do outro sem os entraves do preconceito e da soberba, encontraremos nosso passaporte para uma nova era.Sonho essencial ou não, apenas assim resgataremos a nossa humanidade perdida nos escombros do medo,da indiferença e da arrogância.**
**Não há limites para quem acredita em si mesmo e busca o seu sonho nas profundezas do impossível.**
**No amor, tudo é uma questão de flexibilidade e desejo.O resto é apenas o resto.**
**Dedicação e compromisso são palavras de ordem no coração de quem ama.**
**O maior infortúnio para um ser humano não é a pobreza, nem a cor de sua pele ou tampouco a sua orientação sexual.Mas, uma mente que não sabe voar e um coração que não consegue ver além.**
**O grande valor da vida está na poesia que tiramos dela diariamente.**
**Engolir sapos e matar leões faz da fauna particular de qualquer ser humano.**
**Nada como um bom beijo, um bom vinho e um banho quentinho para perfumar a alma**
**A felicidade é a melodia que apenas o coração pode escutar.**
**Toda mulher está em estado permanente de flor.**
**Meu sobrenome, não vendo, não empresto e não dou.É tudo de importante que meu pai me deixou.**
**Cada um é o seu próprio mito e invenção.**

Karla Bardanza

DESTE PÔR DO SOL...


Às vezes o pôr do sol é só meu.Egoísticamente meu.Arranco-o ao céu num gesto libidinoso, num atrevimento carnal. Como se fosse objecto especial que se pudesse guardar e estimar no aconchego castanho de uma gaveta.A mistura ardente de tons é repentinamente espelho de mim.E sussurro-te ao ouvido nessa hora.(É este o calor e a força com que te quero, meu amor.)Há agora também uma brisa que tem o som e o cheiro da tua ternura. Arca do tesouro de doçuras.(Nada no mundo sabe melhor do que as tuas carícias.)E o pôr do sol não sabe que está abrigado no mesmo recanto em que encontro as tuas palavras.(Disseste-me há dias uma frase que não existia. Uma frase que eu nunca tinha imaginado, mas que sempre desejara ouvir.)Às vezes, no meu pôr do sol, não há mar, não há céu.Fica apenas o que resulta dessa união. Qualquer coisa que ultrapassa o momento... e permanece.(Como nós, amor.)E sorrio-te enquanto te amo.Sorrio também da minha ingenuidade em acreditar que imortalizo o nosso desejo ao roubar o pôr do sol.(Ele renasce de cada vez que penso em ti, sabias?)Sabor a paz de fim de tarde. A minha mão está firme na tua. As nossas bocas mergulhadas num beijo nosso...


(Desconheço Autor)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

AS VOLTAS DO MUNDO E DO AMOR


No livro Perto do Coração Selvagem, a personagem Joana, em um determinado momento, sente-se confusa por estar sofrendo por algo que, um dia, a tornou terrivelmente feliz. Acontece muito. A dor e o prazer alternarem-se em volta do mesmo motivo. Passam-se anos, ou meses, ou horas, e aquilo que nos deu tamanha vontade de viver torna-se a razão de tanta angústia e lágrima. E o mais exaustivo é que este é um fenômeno incompreensível. Sendo de impossível entendimento, nada pode-se esclarecer aqui, a não ser dizer que, na maioria das vezes, é o amor que provoca tal contradição. O tempo passa e o amor sofre mutações: de ansioso passa a ser calmo, de constante passa a ser inconstante, de onipotente passa a ser falível. Nós, por outro lado, também mudamos. De carentes a auto-suficientes, de infantis a maduros, de ternos a ríspidos. Somos igualmente poderosos e igualmente fracos. E a metamorfose do ser humano, como a metamorfose do amor, gera pânico: que amor é esse que um dia me faz explodir de alegria e que no outro dia me implode? Que ser é esse que sou, que um dia aceita as contingências de um sentimento mutante e que no outro dia o quer estático, igual como sempre foi? Há exemplos mais simples. Ele te amou e isso te fez feliz. Ele deixou de te amar e isso te tornou infeliz. Felicidade e dor em alternados momentos e pelo mesmo motivo. Ela era passiva e caseira, e isso deixou você apaixonado. Ela manteve-se passiva e caseira, e você passou a sonhá-la agitada e independente, e de repente não a quis mais. Ela não mudou, mas você mudou, e o amor acompanhou a mudança. Não há como parar o tempo, cristalizar o que nos enche de êxtase. Este êxtase um dia se tranformará em algo que nos perfurará feito lâmina. Porque assim é: a terra gira em torno do sol e nós giramos em torno de nós mesmos, sem descanso.


Martha Medeiros

A TRISTEZA PERMITIDA



Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.

Martha Medeiros

OBRIGADO POR INSISTIR...


Até o mais seguro dos homens e a mais confiante das mulheres já passaram por um momento de hesitação, por dúvidas enormes e dúvidas mirins, que talvez nem merecessem ser chamadas de dúvidas, de tão pequenas. Vacilos, seria melhor dizer. Devo ir a este jantar, mesmo sabendo que a dona da casa não me conhece bem? Será que tiro o dinheiro do banco e invisto nesta loucura? Devo mandar um e-mail pedindo desculpas pela minha negligência? Nesta hora, precisamos de um empurrãozinho. E é aos empurradores que dedico esta crônica, a todos aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!

"Obrigada por insistir para que eu pintasse, que eu escrevesse, que eu atuasse, obrigada por perceber em mim um talento que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse.”
“Obrigada por insistir para que eu fosse visitar meu pai no hospital, eu não me perdoaria se não o tivesse visto e falado com ele uma última vez, eu não teria ido se continuasse sendo regida apenas pela minha teimosia e orgulho.”
“Obrigada por insistir para que eu conhecesse Veneza, do contrário eu ficaria para sempre fugindo de lugares turísticos e me considerando muito esperta, e com isso teria deixado de conhecer a cidade mais surreal e encantadora que meus olhos já viram.”
“Obrigada por insistir para que eu fizesse o exame, para que eu não fosse covarde diante das minhas fragilidades, só assim pude descobrir o que trago no corpo para tratá-lo a tempo. Não fosse por você, eu teria deixado este caroço crescer no meu pescoço e me engolir com medo e tudo.”

“Obrigada por insistir para eu voltar pra você, para eu deixar de ser adolescente e aceitar uma vida a dois, uma família, uma serenidade que eu não suspeitava. Eu não sabia que amava tanto você e que havia lhe dado boas pistas sobre isso, como é que você soube antes de mim?”

“Obrigada por insistir para que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que esta liberdade para a qual você, que me conhece melhor do que eu mesma, apresentou-me como saída.”
“Obrigada por insistir para que eu não fosse àquela festa, eu não teria agüentado ver os dois juntos, eu não teria aturado, eu não evitaria outro escândalo, obrigada por ficar segurando minha mão e ter trancado minha porta.”
“Obrigada por insistir para eu cortar o cabelo, obrigada por insistir para eu dançar com você, obrigada por insistir para eu voltar a estudar, obrigada por insistir para eu não tirar o bebê, obrigada por insistir para eu fazer aquele teste, obrigada por insistir para eu me tratar.”
Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.

Martha Medeiros

A UM AUSENTE...



Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.


Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 14 de julho de 2009

Shopping Center de Maridos


Havia um "Shopping Center de Maridos", onde as mulheres podiam escolher o seu marido entre várias opções de homens. O shopping tinha cinco andares, sendo que as qualidades dos homens cresciam nos andares mais altos. A única regra era que uma vez em um andar, não se poderia mais descer - deveria escolher um homem do andar, subir ao próximo ou ir embora. Uma dupla de amigas foi até o shopping.

PRIMEIRO ANDAR - Um aviso na porta dizia: "Os homens deste andar trabalham e gostam de crianças". Uma das amigas disse para a outra: "Bem, é melhor do que ser desempregado ou não gostar de crianças, mas como serão os homens do próximo andar?". Então elas subiram as escadas.


.SEGUNDO ANDAR - "Os homens deste andar trabalham, têm excelentes salários, gostam de crianças e são muito bonitos". "Viu só?" - diz uma delas - "Como serão então os homens do próximo andar?" Então elas subiram as escadas.

TERCEIRO ANDAR - "Os homens deste andar trabalham, têm excelentes salários, gostam de crianças, são muito bonitos e ajudam no serviço doméstico.
"NOSSA!" - diz a mulher - "Muito tentador, mas como serão os homens do próximo andar?" Então elas subiram as escadas.

QUARTO ANDAR - "Os homens deste andar trabalham, têm excelentes salários, gostam de crianças, são muito bonitos, ajudam no serviço doméstico e são ótimos amantes".
"Meu Deus...pense! O que será que nos aguarda no quinto
andar!!!" Então elas subiram até o quinto andar.

QUINTO ANDAR - A placa na porta do andar vazio dizia: "Esse andar serve somente para provar que é impossível satisfazer as mulheres. Por favor siga até a saída e tenha um bom dia".

(Autor Desconhecido)

A VOZ DO SILÊNCIO




Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em

que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,

pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,

o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.

E fala alto.

É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem.

Martha Medeiros

segunda-feira, 13 de julho de 2009

CORRENDO CONTRA O TEMPO...


O que sinto não é diferente do que as outras pessoas sentem. Todos buscamos algo em nossas vidas que nos complete, que nos faça sentir realizados, não é a toa que somos seres incompletos...
Estas buscas muitas vezes nos frustram nos deixam apreensivos, querendo correr contra o tempo, neste mundo louco onde temos que correr dia a dia para poder sobreviver.
Nesta jornada cansativa pela sobrevivência esquecemos do mais importante nossa paz interior, vivemos sob o comando das horas que estão ali para mostrar os horários de compromissos como: trabalho, escola, pagamento de contas... Vivemos mais preocupados em pagar contas do que qualquer outra coisa...
Cada pessoa tem seu momento no momento certo, eu parei respirei e olhei pra mim, pra dentro de mim e o que vi? Alguém perdida dentro de si, preocupada com coisas comuns que todas as pessoas também se preocupam e esqueci de me preocupar com o principal minha “Vida” minha “Paz”.
Vivemos num mundo onde a “Liberdade” é algo que meio obscuro, porque de certa forma somos escravos de dívidas e horas. Você passa a maior parte do seu tempo correndo, trabalhando para no final do mês pagar suas contas e sentir aquele alívio de ter feito nada mais que sua obrigação “Pagar” suas contas, nem teve tempo de pensar em “Paz” em “Liberdade” porque o mês já começou de novo e precisamos correr atrás das horas pra não perder tempo... E o tempo pra pensar na “Paz Interior”?
Mas bá! Preciso ir que já estou atrasada...

IvySot

NÃO DESISTA NUNCA...


Se você não acreditar naquilo que você é capaz de fazer; quem vai acreditar?
Dizer que existe uma idade certa, tempo certo, local certo, não existe.
Somente quando você estiver convicto daquilo que deseja e esta convicção fizer parte integrante do processo.
Mas quando ocorre este momento? Imagine uma ponte sobre um rio.
Você está em uma margem e seu objetivo está na outra.
Você pensa, raciocina, acredita que a sua realização está lá.
Você atravessa a ponte, abraça o objetivo e não olha para traz.
Estoura a sua ponte.
Pode ser que tenha até dificuldades, mas se você realmente acredita que pode realizá-lo, não perca tempo: vá e faça.
Agora, se você simplesmente não quer ficar nesta margem e não tem um objetivo definido, no momento do estouro, você estará exatamente no meio da ponte.
Já viu alguém no meio de uma ponte na hora da explosão... eu também não.Realmente não é simples.
Quando você visualizar o seu objetivo e criar a coragem suficiente em realizá-lo, tenha em mente que para a sua concretização, alguns detalhes deverão estar bem claros na cabeça ou seja, facilidades e dificuldades aparecerão, mas se realmente acredita que pode fazer, os incômodos desaparecerão.
É só não se desesperar.
Seja no mínimo um pouco paciente.
Pois é, as diferenças básicas entre os três momentos são:
ESTOURAR A PONTE ANTES DE ATRAVESSÁ-LA Você começou a sonhar... sonhar... sonhar! De repente, sentiu-se estimulado a querer ou gozar de algo melhor.
Entretanto, dentro de sua avaliação, começa a perceber que fatores que fogem ao seu controle, não permitem que suas habilidades e competências o realize.
Pergunto, vale a pena insistir?
Para ficar mais tangível, imaginemos que uma pessoa sonhe viver ou visitar a lua, mas as perspectivas do agora não o permitem, adianta ficar sonhando ou traçando este objetivo?
Para que você não fique no mundo da lua, meio maluquinho, estoure a sua ponte antes de atravessá-la, rompa com este objetivo e parta para outros sonhos! ESTOURAR A PONTE NO MOMENTO DE ATRAVESSÁ-LA Acredito que tenha ficado claro, mas cabe o reforço.
O fato de você desejar não ficar numa situação desagradável é válido, entretanto você não saber o que é mais agradável, já não o é! Ou seja, a falta de perspectiva nem explorada em pensamento, não leva a lugar algum. Você tem a obrigação consciencional de criar alternativas melhores. Sou pelas coisas simples, sucesso é gostar do que faz e fazer o que gosta.
Tentamos nos moldar em uma cultura de determinados valores, onde o sucesso é medido pela posse de coisas, mas é muito mesquinho você ter e não desfrutar daquilo que realmente deseja.
As pessoas que realizaram a oportunidade de estourar as suas pontes de modo adequado e consistente, não só imaginaram, atravessaram e encontraram os objetivos do outro lado.

Martha Medeiros

PAZ RENOVADORA ...


Éramos o que líamos, o que comíamos e o que vestíamos, hoje somos o que fazemos, e entenda-se por fazer, fazer coisas grandes, que apareçam e sejam comentadas. É preciso correr riscos, disputar um concurso, publicar uma obra, aparecer na tevê, provocar um escândalo, viver uma aventura, inventar um modismo, descobrir uma fórmula revolucionária para... não importa, desde que seja revolucionária.

A vida nos empurra pra frente de modo tão convicto que chego a sentir suas duas mãos espalmadas nas minhas costas. Ela exige que aprendamos inglês, que façamos exercícios, que experimentemos emoções novas, que nos atualizemos, que nos aprimoremos, tudo para lá adiante ganharmos o troféu dos estressados.

Não há palco que chegue para tanta atuação, mas há abundância de sofás e redes para quantos se dispuserem a parar, sentar e reavaliar: aonde queremos chegar, afinal?

Talvez seja hora de refletir e buscar uma tranqüilidade igualmente motivadora. Devemos aprender a, de vez em quando, dizer "alto lá" para essas mãos invisíveis que nos empurram pelas costas e procurar ser feliz com uma vida estável, com os dias correndo mansamente, previsíveis, serenos.

Quem sabe não é isso que nos falta. Emoções controladas. Expectativas modestas. Panquecas de banana.

Martha Medeiros(Postado no Blog "Entrelaços")

domingo, 12 de julho de 2009

PRETO E BRANCO


Às vezes fica assim, a preto e branco, completamente daltônica e apática, sem o verde do chão que pisa, sem o vermelho do sangue que derrama, sem o azul do teto do mundo que a vê passar a cada dia. Ausência do pulsar dos ponteiros do relógio, anestesiada por coisas que sente não poder mudar. Espreita os outros e sente-se encolher, mirrada na sua insignificância, vergada ao gosto amargo da dor engolida e estrafegada a cada segundo na garganta. O céu que se apaga em agonia dentro de um olhar quase moribundo de esperança. O sol perde a cor, o vento perde a força, a chuva torna-se corpo no corpo já de si encharcado de lágrimas, empregnado de silêncios tristes, de melodias lúgubres. Histórias de risos forçados pela vontade monstra de ser. Telas inacabadas e para sempre abandonadas, pinceladas de um talvez que nunca o foi. E do riso se faz pranto. E do pranto se faz pânico e do pânico... silêncio.

(Desconheço Autor)

CHAFURDAR NA LAMA...


Sinto-me impossibilitada de alcançar a desejada harmonia entre o meu ser e o meu estar no mundo, como se o meu eu e o mundo fossem incompatíveis... Vontade de fugir de mim mesma, abandonar essa vida interior onde detecto fraqueza। Por vezes, nem sei quem sou, engano aos outros e a mim freqüentemente। Uso máscara o tempo todo, para que os outros me suportem। Fico chocada ao constatar o quanto atuo e me perco em meio a tantas personagens. Qual delas serei realmente? A fortaleza, a alienada, a sensível, a mal amada... a cada momento uma delas entra em cena e interpreta o seu papel, até aí, tudo bem, acho que isso ocorre com todos, o problema é quando tenho que olhar para dentro de mim e não me reconheço, e invento mais uma e mais uma. São tantas mulheres distintas... crio e recrio histórias, conflitos, busco desesperadamente por mim em cada uma delas e me perco... Chafurdar na lama... Há uma constatação: isso não me agrada. O que posso fazer para mudar? Aí surge a dor, quando se percebe que há um esgotamento de possibilidades. Não tenho força. Meu corpo não está disposto. É como se eu ficasse torpe, sem reação e vontade. Somente recolhendo o óbvio, o reduzido, o quase nada.Chafurdar na lama... Sinto uma necessidade de mudar, mas fico assim... entorpecida no tédio. Ele me consome e já não tenho muito a compartilhar. Irritabilidade com o medíocre, com tudo que me esvazia...Chafurdar na lama... mas ao contrário do que seria de praxe, tenho a nítida impressão que após fazer isso, me sentiria mais leve e finalmente livre desta dor que corrói minha alma. Às vezes nem é mais dor e sim um estágio letárgico de aceitação das coisas que não posso mudar, mas Schopenhauer dizia que o sofrimento está para quem reflete. Quanto mais inferior o ser humano em suas construções reflexivas, mais próximo da satisfação ele encontra-se. Alienação total. Seria isso a felicidade? Chafurdar na lama... e lá deixar tudo que há de pequeno, mesquinho e medíocre em mim. Deixar que o barro encarregue-se de remover o que não quero mais e por um momento sentir-me desligada, por assim dizer, desconectada do mundo objetivo, do seu contexto social. Chafurdar na lama... com a esperança de que após esse ato tresloucado eu possa reconhecer-me, e enfim, libertar-me da dor.



Naira Rodrigues

AMEI-TE EM SILÊNCIO...


Olhando do meu quarto vi a escuridão da noite.
Comecei a invejar a liberdade do vento
Que se fazia sentir no esvoaçar dos cortinados.
Olhei a escuridão durante algum tempo,
Até que ela começasse a reavivar as minhas lembranças.
Era como se tudo estivesse quieto,
Porque a escuridão estava em perfeito silêncio.
Apenas um olhar vazio através da janela
E uma vontade imensa de renascer através do tempo,
E ver-te.
Saber onde estás.
Com quem.
Como...
Em silêncio sem pensar em nada,
Escutando apenas o ruído sempre constante do vento
Que soprava trazendo o cheiro do teu corpo para dentro de mim,
Eu amei-te naquele instante mágico,
Onde o sofrimento calado e o pranto já não interagiam mais,
Apenas uma única e intensa vontade de ser amada por ti ...

(Desconheço Autor)

“Para todos os que preferem a inquietação de um amor, do que a paz de um coração vazio…”

APESAR DE...



…Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de…
Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.



Clarice Lispector