
Busco-te nos componentes do meu sistema, nas harmonias e vias da minha anatomia, nos adereços e endereços da minha beleza. Busco-te nas veias do meu coração, nas tendências fetais e atuais dos meus anseios, nos roubos e arroubos das minhas quimeras. Busco-te nas vísceras do meu pranto, nas entranhas estranhas do meu paraíso, nos rogos e fogos das minhas orações. Busco-te nas secreções do meu labirinto, nos hormônios binômios dos meus desejos, na produção e liberação das minhas indigências. Busco-te nos excrementos do meu pensamento, nos cantos encantos das minhas ilusões, nas ações e proscrições dos meus venenos. Busco-te nas linfas e tecidos da minha perdição, nos ruídos fluídos do meu pranto, nas bisonhas e medonhas vias do meu coração. Busco-te nos estímulos dos meus músculos, nos raptos inaptos dos meus prazeres,nos deslizamentos cruentos das minhas contradiçõesbusco-te nas captações dos meus neurônios, nas manhas barganhas dos meus desafios, nas repulsões e compreensões dos meus impulsos. Busco-te na concupiscência das minhas ereções, nas meninas meninos das minhas fantasias, nos vampiros e suspiros dos meus temores. Busco-te nos ares das minhas inalações nas correntes assentes da minha pornografia, nos casticismos e cinismos dos meus pretextos. Busco-te nas cartilagens dos meus ossos, nos rígidos e hígidos arcabouços da minha essência, nas sustentações e proteções dos meus caminhos. Busco-te nas terminações dos meus sentidos, nas ordens e desordens dos meus estímulos, nos pulcros sepulcros dos meus significados. Busco-te nas interrelações do meu corpo, nas dependências e pendências da minh'alma, nos bruxedos e brinquedos dos meus sonhos. Busco-te, enfim, em cada uma das minhas veleidades, nos êxtases e ênfases da minha inspiração, nos domínios e fascínios de todos os meus ais. Encontro-te em mim, mas não me encontro em ti...
Sílvia Mota.
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