
Éramos o que líamos, o que comíamos e o que vestíamos, hoje somos o que fazemos, e entenda-se por fazer, fazer coisas grandes, que apareçam e sejam comentadas. É preciso correr riscos, disputar um concurso, publicar uma obra, aparecer na tevê, provocar um escândalo, viver uma aventura, inventar um modismo, descobrir uma fórmula revolucionária para... não importa, desde que seja revolucionária.
A vida nos empurra pra frente de modo tão convicto que chego a sentir suas duas mãos espalmadas nas minhas costas. Ela exige que aprendamos inglês, que façamos exercícios, que experimentemos emoções novas, que nos atualizemos, que nos aprimoremos, tudo para lá adiante ganharmos o troféu dos estressados.
Não há palco que chegue para tanta atuação, mas há abundância de sofás e redes para quantos se dispuserem a parar, sentar e reavaliar: aonde queremos chegar, afinal?
Talvez seja hora de refletir e buscar uma tranqüilidade igualmente motivadora. Devemos aprender a, de vez em quando, dizer "alto lá" para essas mãos invisíveis que nos empurram pelas costas e procurar ser feliz com uma vida estável, com os dias correndo mansamente, previsíveis, serenos.
Quem sabe não é isso que nos falta. Emoções controladas. Expectativas modestas. Panquecas de banana.
Martha Medeiros(Postado no Blog "Entrelaços")
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